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KM4Dev Brazil

This is a space for members in Brazil who want to network and share Intellectual Capital Management and Knowledge Management for Development experiences. Comments may be in English or Portuguese.

Este é um espaço para os membros do Brasil que querem fazer network e compartilhar experiências sobre Gestão do Capital Intelectual e KM para o desenvolvimento. Os comentários podem ser em inglês ou português.

Para participar do KM4Dev Brazil bastam 3 passos:

1º Passo - Solicite sua associação à comunidade KM4Dev, o que é feito sem qualquer custo. Acesse http://www.km4dev.org/ e use a opção "Sign up".

2º Passo - Depois de sua associação  ter sido aceita ( leva em geral um dia), solicite sua participação  no nosso grupo enviando um e-mail bem simples para: fernandogoldman@yahoo.com.br .

3º Passo - Você receberá um convite para participar do Grupo de Discussão. Aceite o convite e você passará a fazer parte do Grupo de Discussão, sem qualquer custo ou compromisso.

Os membros do Grupo de Discussão podem optar por receber comunicados de novas mensagens e têm acesso constante a todas as discussões.

Website: http://http://www.sbgc.org.br/sbgc/
Location: SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento
Members: 13
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Fernando Luiz Goldman

The Dynamics of Organizational Knowledge: a Framework for Innovation 1 Reply

Prezados Segue anexa a versão final do meu artigo a ser apresentado na DRUID Academy 2012. Pretendo usar alguns aspectos levantados no artigo para darmos prosseguimento a nossas discussões. Forte…Continue

Started by Fernando Luiz Goldman. Last reply by Fernando Luiz Goldman Feb 3.

Fernando Luiz Goldman

La búsqueda de la creatividad en la agricultura

Conferencia brasilia11.11.28bView more…Continue

Started by Fernando Luiz Goldman Dec 15, 2011.

Fernando Luiz Goldman

Knowledge Commons, Challenges for Development

Knowledge commonsyork20.9.11v2 View more…Continue

Started by Fernando Luiz Goldman Dec 14, 2011.

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Fernando Luiz Goldman Comment by Fernando Luiz Goldman on February 17, 2012 at 11:12am

A informação a seguir pode ser de interesse de algum dos participantes deste Grupo de Discussão:

UNU-IAS PhD Fellowships

Descrição

The United Nations University - Institute of Advanced Studies (UNU-IAS) is amongst the newest in the network of research and training centres within the UNU system. The Institute conducts research, postgraduate education and capacity development, both in-house and in cooperation with an interactive network of academic institutions and international organizations.

The thematic direction of the research concerns the interaction of social and natural systems. Thus, research combines the social sciences with some of the physical and life sciences and is aimed at the development of informed policy-making to address global concerns.

Since 1996, UNU-IAS offers PhD Fellowships to candidates in the last stages of their dissertation process to broaden their perspectives to other related scientific fields, and to expose them to international policy-making circles. So far, more than 90 Fellows from some 50 countries have passed through the PhD Fellowship Programme. Of those completing the programme, about one third have been women, and developing country participants have outnumbered developed country participants.

Research proposals are invited in the following areas:

  1. Science and Technology for Sustainable Societies;

  2. Sustainable Urban Futures;

  3. Biodiplomacy Initiative;

  4. Sustainable Development Governance;

  5. Traditional Knowledge Initiative;

  6. Marine/Coastal Governance and Urban Biodiversity (UNU-IAS OUIK).
Data Limite

The deadline for applications for the 2012 Fellowships is 29 February 2012.

Elegibilidade

Applicants must be at the dissertation writing stage of their PhD with a research proposal accepted by the candidate's university. Language proficiency in English is essential. Applicants from developing countries and women are particularly encouraged to apply.

Benefícios

The fellowship provides a monthly stipend of JPY260,000 from which a monthly usage charge for accommodation is deducted (see below). A one-time-only settle-in-allowance of JPY 80,000 will be granted to each Fellow at the beginning of the programme for relocation, adjustment expenses, ground transportation and incidental costs. UNU-IAS provides Fellows with a return air ticket between his/her country of residence and Narita Airport. Settle-in-allowance and air tickets are, however, not provided for Fellows already residing in Japan before the commencement of the fellowship.

Ph.D. Fellows will be provided with accommodation by UNU-IAS. Usage charges other than utilities (electricity, water, gas, telephone, etc.) are as follows:

  1. Single room apartment (for one person): JPY80,000 or more per month;

  2. Twin room apartment (for couples): JPY130,000 or more per month.

Prazo de Execução

UNU-IAS Ph.D. Fellowships are awarded for a period of 12 months, starting in September.

Requisitos

Residency in Yokohama or Kanazawa for the full duration of the fellowship is required.

Critérios de Seleção

Applicants are evaluated on the following criteria:

  1. The research objectives of the applicant and the quality of the research proposal;

  2. The relevance of the research proposal to the ongoing or planned research activities of the applicant's selected Research Programme at UNU-IAS;

  3. The applicant's academic merit and the potential for successful research while at UNU-IAS.

After the initial review of all completed applications, short-listed candidates will be contacted for a telephone interview.
Forma de Solicitação

Interested and eligible candidates are invited to complete the online-application form. For those who does not have access to the Internet, please contact fellowships@ias.unu.edu. The online form and the required documents indicated in the form must be in English. If the supporting document is in another language, please also attach an English translation.

Contatos

Postdoctoral Fellowship Programme

Home Page

UNU-IAS PhD Fellowships

Fonte

As informações descritas acima foram obtidas na home page da Financiadora.

Última Revisão

9/2/2012



Financiadora

  1. Nome United Nations University, Institute of Advanced Studies (UNU/IAS)
  2. Endereço International Organizations Center, 6F
  3. Complemento Pacifico-Yokohama, 1-1-1 Minato Mirai
  4. Cidade Nishi-ku
  5. Código 220-0012
  6. Estado Yokohama
  7. País Japão
  8. Telefone +81(45) 221 2300
  9. Fax +81(45) 221 2302
  10. E-mail unuias@ias.unu.edu
  11. Home Page http://www.ias.unu.edu/



Fernando Luiz Goldman Comment by Fernando Luiz Goldman on February 10, 2012 at 11:51am

Prezado Sebastião

Repare que a epistemologia que você descreve em seu comentário anterior é diferente da que eu uso. Não estou entrando no mérito se é melhor ou pior. A questão não é bem esta. A questão é se a epistemologia adotada ( por mim, por você, ou por quem quer que seja) é adequada aos fins a que se destina. Se produz resultados adequados.

O Spender diz que para ser a base de uma Teoria da Firma, o conhecimento deve ser definido com precisão suficiente para nos deixar ver qual conhecimento é significativo para a empresa e tem ainda de explicar como isso leva à vantagem competitiva.

É comum vermos ações ditas de Gestão do Conhecimento patinando. Isto em geral acontece porque – apoiada numa definição inadequada de conhecimento - se começa a capturar informações, acreditando-se que se esta criando conhecimento.

Numa epistemologia em que se acredita que o conhecimento é uma capacitação para ação eficaz - e que ele só existe como resultado do raciocínio de um ser humano - fica mais fácil entender que qualquer coisa que eu ou qualquer outra pessoa escreva, por mais gabaritada que essa pessoa seja, não se constitui em conhecimento. Mesmo estando explícita ( codificada ou articulada), esta informação não é conhecimento objetivo ( coisa que não existe). Não é nem mesmo conhecimento, pois perdeu seu caráter dinâmico, tornando-se estática. Não é mais uma capacitação de ação eficaz, mas apenas uma informação.

A cartilha não é conhecimento, ela possibilita que um indivíduo aprenda e passe a ter capacitação para agir.

Aquilo que se caracteriza como o conhecimento capaz de criar vantagem competitiva para uma empresa não é bem aquilo que está no manual de operações daquela empresa, mas a maneira como as pessoas que compõe a empresa reagem quando surge alguma situação que não está no dito manual.

Isto não significa que não seja útil ter um manual de operações. Ao contrário, codificar aquilo que se sabe em um manual pode ajudar a reduzir a incerteza. O que não se pode é imaginar que o manual de operações irá eliminar a incerteza e que basta ter um manual para se estar fazendo Gestão do Conhecimento. O principal papel da Gestão do Conhecimento é influenciar, corrigir e aperfeiçoar os processos, políticas e programas da empresa que influenciam, corrigem e aperfeiçoam a criação de seu Conhecimento Organizacional.

Eu prefiro dizer, em linha com a epistemologia que adoto, que o manual de operações traz as informações que possibilitarão aos funcionários criarem conhecimento.

Está claro que determinados arranjos organizacionais precisam focar mais na informação do que no conhecimento de modo a criar certa massa crítica. Por isto, no modelo que proponho há um espaço relevante para as ações focadas no conhecimento explícito que, em linha com o que já foi dito acima, se caracterizam como Gestão da Informação.

Forte abraço

Fernando Goldman

Sebastiao Mendonça Ferreira Comment by Sebastiao Mendonça Ferreira on February 9, 2012 at 8:57pm

Fernando,

Agora sim, continuemos o nosso diálogo.

Valoro a preocupação por não "coisificar" ao conhecimento, para evitar que o manejo do conhecimento seja uma administração de bases de dados. Valoro também o enfoque de Polanyi, e o entendimento de que o tácito é uma dimensão do conhecimento. Também considero fundamental o entendimento do conhecimento organizacional como resultado de um processo social antes que uma serie de métodos de gestão da informação, muito bem formulado na sua proposta de Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional.

Considero que para os profissionais da gestão do conhecimento os temas epistemológicos são importantes, pois estamos interessados em como o conhecimento é gerado, recriado e utilizado numa organização. Quando eu descubri que o conhecimento era o capital mais importante de um profissional, de uma organização e de uma sociedade, em 1996, eu decidi me dedicar profissionalmente ao tema. Entretanto eu não classifico o conhecimento pela sua origem (experiencial, experimental, imaginativo, especulativo, cultural, etc.) senão pela sua utilidad: pensar ou fazer. Aquele conhecimento que serve para pensar, eu chamo propositivo. Ao conhecimento que serve para fazer eu chamo prescriptivo. Essa definição não é minha, é do Joel Mokyr. 

Sobre a dimensão tácita, eu acho que todo conhecimento, ao ser usado tem um componente tácito. O único conhecimento sem componente tácito, é aquele que está escrito num livro, ou num blog, ou que está impregnado numa máquina como um carro ou um telar. Por exemplo: nesta conversa você formulou um conhecimento 100% explícito, no seu blog. O conhecimento explícito tem a forma de informação, ainda que não toda informação pode ser qualificada de conhecimento. Quando eu li o que você escreveu, eu fiz uma interpretação aproximada ou distante da ideia que você queria comunicar, essa interpretação está baseada no conhecimento explícito que você escreveu, combinada com a minha forma tácita de interpretar o que eu leio.  O que eu estou tentando dizer é que a gradiente entre tácito e explícito é adequado em certa medida, mas é uma simplificação. Essa reflexão é importante para entender porque o conhecimento tácito e explícito não se propaga ao interior de uma organização como se esperaria, porque o common knowledge não é tão common como se esperaria. 

Depois continuamos com a nossa conversa sobre a definição de conhecimento. 

Um grande abraço.

Sebastião

Sebastiao Mendonça Ferreira Comment by Sebastiao Mendonça Ferreira on February 9, 2012 at 8:04pm

Fernando,

Agora sou eu quem pede disculpas. Estive fora e quando cheguei tive que me dedicar a problemas caseiros: um pequeno robo na minha casa e o do meu carro estragou.

Antes de continuar o nosso dialogo, eu sugiro dar uma olhada en http://www.ted.com/talks/arthur_benjamin_does_mathemagic.html. Nao e nada intelectual, e so diversao, mas e muito boa.

Um abraco

Fernando Luiz Goldman Comment by Fernando Luiz Goldman on February 3, 2012 at 7:31am

Prezados

A amiga Elizete Sá, que a exemplo de muitos outros membros da SBGC ainda não se juntou ao nosso grupo de discussão e está fazendo falta, me enviou um e-mail comentando os slides que disponibilizei no Slideshare (http://www.slideshare.net/Goldman/2012-01-20druidpresentation?from=... ), sobre a apresentação feita na Druid Academy 2012.

Ela identificou um encadeamento bem interessante entre criação do conhecimento, vantagem competitiva e crescimento sustentado.

Eu me arriscaria a ampliar esta conexão inserindo outros elementos como inovação e Aprendizado  Organizacional.

Se nós adotamos a premissa da Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional de que a Inovação é ‘a criação dinâmica de Conhecimento Organizacional’, podemos dizer que as empresas inovavam buscando criar vantagens competitivas, propiciadas pelas assimetrias de conhecimento geradas por novas técnicas (produtos e processos), novos padrões organizacionais ou novos desenhos institucionais.

Já o Aprendizado Organizacional, entendido como o processo dinâmico pelo qual uma empresa se adapta, ativa ou reativamente, às mudanças em seu ambiente de negócios é obtido pelas inovações que vai conseguindo produzir.

É, em última análise, o Aprendizado Organizacional que propicia o crescimento sustentado de uma empresa. Como o Aprendizado Organizacional é obtido pelas inovações, as quais são resultados da criação dinâmica de Conhecimento Organizacional, podemos dizer que a criação dinâmica de Conhecimento Organizacional propicia o crescimento sustentado.

Parece só um jogo de palavras, mas por trás deste encadeamento está um enigma que vem desafiando os economistas, os pesquisadores da administração e os teóricos da gestão estratégica corporativa por muito tempo.

Forte abraço

Fernando Goldman     

Fernando Luiz Goldman Comment by Fernando Luiz Goldman on January 28, 2012 at 9:14pm

Prezado Sebastião

Inicio pedindo desculpas pela demora, mas estava em viagem e sem condições de lhe responder adequadamente.

Concordo plenamente com você quanto à necessidade de definirmos de forma clara o que entendemos por conhecimento.

Discutir o “conhecimento” sem definir uma epistemologia e uma teoria que sirva como ponto de partida é uma verdadeira loucura. Alguma coisa bem no estilo daquela música antiga, o Samba do Crioulo Doido.

Fui capaz de ver suas apresentações e o artigo que você me enviou, percebendo que a epistemologia usada e a teoria em que eles se baseiam são diferentes das que eu procuro usar.

Por que usar uma epistemologia baseada em Polanyi e a Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional (TCCO) como ponto de partida? Por que diferenciar com tanta ênfase o “conhecimento” da “informação”?

Porque esta abordagem ajuda a evitar erros que são frequentes quando se lida com o conhecimento nos arranjos organizacionais, como por exemplo, se acreditar na possibilidade de se fazer “repositórios” de conhecimento.

O conhecimento, na TCCO, é definido por três premissas:

1 – o conhecimento é uma crença justificada em uma verdade ( com ênfase em justificar a crença e não a verdade) ;

2 – o conhecimento é uma capacitação para ação eficaz e tomada de decisões; e

3- o conhecimento de um indivíduo se apresenta ao longo de um continuum entre tácito e explícito.

Não se trata de escolher a única epistemologia correta, mas sim a mais adequada àquilo a que nos propomos a fazer.

Forte abraço

Fernando Goldman

Sebastiao Mendonça Ferreira Comment by Sebastiao Mendonça Ferreira on January 27, 2012 at 11:06pm

Ola Monika,

Bem-vinda a KM4Dev Brasil. Aqui poderemos ter um espaço de diálogo interessante. A sua chegada vai reforçar o tema de KM em espaços socialmente abertos e a perspectiva de KM como processo social.

Desculpa o tom telegráfico, mas estou no interior de Honduras, com um sinal de internet de pouca qualidade.

Um abraço

Sebastiao Mendonça Ferreira Comment by Sebastiao Mendonça Ferreira on January 16, 2012 at 10:11pm

Prezado Fernando,

 

Este é um tratamento introdutório ao conceito de conhecimento, orientado ao uso práctico. Mas antes de abordar a o ponto, eu gostaria de aclarar que os termos e os conceitos não são o mesmo. Eu opino que os termos, ou palavras, operam como representações de conceitos. Pode então acontecer que diferentes pessoas podemos utilizar o mesmo termo representando diferentes conceitos. Não sendo filólogo nem lingüista, eu buscarei focar-me nos conceitos antes que nos pelos termos.

 

Entendo a geração de conhecimento como a habilidade dos seres vivos de descobrir seqüências de perturbações (padrões) e de detectar perturbações no ambiente ou em si mesmos, e usar esses dois elementos para aumentar as suas probabilidades de continuar vivo ou para ampliar a sua influencia sobre o seu ambiente. O conhecimento, na minha forma de pensar, é gerado por um ser vivo capaz de ação teleológica. A geração de conhecimento tem implícita a criação de uma representação ou abstração sobre o ambiente e sobre si mesmo. Chamo de abstrações a coleção de padrões descobertos por um ser vivo no ambiente ou em si mesmo.

 

Nesta primeira reflexão eu falo da geração do conhecimento e da sua utilidade, mas ainda não falo directamente do conhecimento. Imagino como uma conversa, uns cem ou cinqüenta mil anos atrás, quando um filósofo pergunta ao outro o que é um machado, e o outro responde que machado é aquilo que ele fabrica quando está lascando pedras. Quer dizer, estou definindo algo pela forma em que é gerado, o processo cognitivo, e não pelas suas propriedades e limites. Entendo que isso é uma limitação na minha definição, mas eu nao tenho nada melhor que isso nestes momentos.

 

Bertrand Russel define conhecimento como uma crença que está de acordo com os fatos. Mas o próprio Russel reconhece limitações na sua definição. No seu famoso artigo de 1913, publicado em 1926, ele não define fato senão dato. O conceito de fato é dificultoso porque assume que é uma informação que tem uma identidade com a realidade, e que pode ser verificada com segurança por qualquer pessoa. Eu estou entre os que pensam que os “fatos” tem sempre implícita uma interpretação, são sempre parte de uma abstração particular sobre a realidade que está sendo descrita. Os fatos podem, muitas vezes, ser matéria de discussão.

 

Platão tem a famosa definição de conhecimento como crença de verdade justificada (justified true belief). Eu acho esta definição boa para a reflexão, porque me ajuda a verificar si as minhas crenças são justificadas, mas a justificação de uma crença é tão complexa como o objeto que está sendo definido (conhecimento). Uma boa definição deve utilizar elementos mais simples, menos complexos, do que o que está sendo definido (no estilo do livro Elementos de Euclides).

O historiador Mokyr, citado nas minhas apresentações, utiliza o conceito de conhecimento util, a partir da definição de conhecimento verificado criado pelo economista Simon Kuznets. O conceito de Kuznets é uma modificação do conceito de Platão. 

 

O conhecimento pode ser criado a partir das seguintes fontes: a experiência, a experimentação, a imaginação, a especulação, e a reflexão. Chamo experiência a qualquer atividade prática. Chamo experimentação as atividades práticas que tem por propósito gerar conhecimento. Chamo imaginação ao movimento livre da mente inventando “realidades” alem das realidades. Chamo especulação ao exercício formal de estruturar abstrações, como num teorema.  Chamo reflexão ao exercício de processar qualquer desses quatro elementos anteriores.

 

Si bem o conhecimento é sempre gerado por um ser vivo, ele pode ser utilizado pelo ser vivo, pode ser representado, ou pode ser inserto em objetos. A primeira possibilidade é quando o conhecimento é utilizado na forma em que foi criado, como a arte de um pintor. Grande parte deste conhecimento é tácito. Quando alguém consegue traduzir o conhecimento a uma forma simbólica o conhecimento pode ser compartido entre as pessoas que compartem a linguagem simbólica na qual o conhecimento está representado. O conhecimento que está representado em forma simbólica é chamado conhecimento explícito. Quando o conhecimento está inserto em objetos, como no sistema imunológico ou numa máquina, ele opera em forma automática, independente de uma mente humana.

 

A representação do conhecimento não é idêntica ao conhecimento representado. As representações são sempre um meio, um artifício, um mapa. Diferentes atores podem interpretar as representações em forma diferente de quem as criou. Esta frase pode ser entendida de diferente formas por diferentes leitores. Mas é difícil negar que as representações transportam conhecimento. A “invenção” da linguagem teve por propósito o intercambio de conhecimento entre os humanos. O particular das linguagens humanas, em relação as dos animais, é que, alem de comunicar informação (serpente, água, águia, etc.) ou emoções (ódio, amor, dúvida, etc.) também comunica conhecimento.

Espero que essas frases ajudem a clarificar um possível conceito de conhecimento.

 

Um abraço

CLÁUDIO DE MUSACCHIO Comment by CLÁUDIO DE MUSACCHIO on January 12, 2012 at 8:29am

Olá Fernando

 

Observo que você levanta uma discussão muito oportuna e de suma importância na gestão do conhecimento hoje em dia.

 

Lendo a obra de Piaget entendemos perfeitamente como se constrói o conhecimento, mas como vocêmesmo disse, o que importa analisar além disso, é como este conhecimento construído pode ser relacionado nos negócios e alavancar vantagens competitivas entre os indivíduos nas organizações.

O conhecimento como a gente entende de "cultura organizacional", é a soma de todos os conhecimentos dos indivíduos a cerca do negócio. Estas discussões é que nos instigam a continuar a pesquisar. Mas como utilizar este conhecimento para resolver problemas, sugerir soluções, estudar os produtos e ou serviços da organização onde se trabalha, conhecer os concorrentes, estimular a inteligência competitiva, promover a aprendizagem organizacional e tantas gestões que conhecemos bem.

Mas o mais interessante dessas trocas é que possamos sugerir outras alternativas para gestão do conhecimento saindo um pouco das duas dimensões conhecidas (Nonaka x Davenport). Buscar outras vertentes que possam sugerir práticas organizacionais inovadoras, criativas e novos paradigmas da administração.

 

um abraço

 

Cláudio de Musacchio

 

 

 

Fernando Luiz Goldman Comment by Fernando Luiz Goldman on January 12, 2012 at 8:07am

Prezado Cláudio

Muito interessantes e oportunas suas considerações sobre a Teoria Piagetiana.

Segue um pequeno trecho do meu livro ‘O que é Gestão do Conhecimento?’, ainda no prelo, para ilustrar o assunto:

A Epistemologia Genética de Piaget é uma teoria que analisa o comportamento psicológico humano, área normalmente afeta à Psicologia, embora Piaget não fosse psicólogo. Analisa aspectos relacionados ao aprendizado, área normalmente afeta à Pedagogia, embora Piaget não fosse pedagogo.

Como biólogo o interesse de Piaget, ao desenvolver sua teoria, era dar uma fundamentação à forma de como se "constrói" o conhecimento humano.

Sua teoria pode ser considerada um meio termo entre o apriorismo – pois não aceita que todo o conhecimento seja, a priori, inerente ao próprio sujeito – e o empirismo – ao não aceitar que o conhecimento provenha totalmente das observações do meio que cerca o sujeito.

A teoria de Piaget é denominada de "Construtivismo", por entender o conhecimento como um processo permanentemente em desenvolvimento, que estará sempre sendo construído através das interações entre o sujeito e seu meio.

Para aqueles que desejam conhecer um pouco mais sobre o construtivismo ou maiores informações sobre o que ele é, eu recomendo o artigo de Fernando Becker: ‘0 Que é construtivismo?’, publicado na Revista de Educação ( AEC, Brasília, DF, v. 21, n. 83, p. 7-15, 1992) e disponível em http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_20_p087-093_c.pdf .

Embora a  Epistemologia Genética seja uma boa teoria para tentarmos entender o mecanismos de aprendizado de um ser humano, ela não nos informa o suficiente sobre o assunto que está sendo aqui discutido, ou seja, o conhecimento no âmbito organizacional.

Uma vez que adotamos uma abordagem social-construtivista, resta discutir a existência, ou não, de um ‘conhecimento objetivo’, independente do conhecedor.

Sua ideia de trazer Piaget à nossa discussão foi muito boa e trouxe luz sobre alguns aspectos muito importantes sobre com se dá a construção do conhecimento, mas eu não saberia dizer se na imensa obra dele, ele chegou a abordar o aspectos de análise do conhecimento em si. Confesso que conheço superficialmente a obra de Piaget, que segundo consta tem mais páginas que a Enciclopédia Britânica, mas creio que ele estava interessado nos aspectos mais conceituais de como se dá o aprendizado humano, não entrando no mérito se a construção do conhecimento é um processo apenas mental ou mental/corporal. Se ela se dá apenas conscientemente ou também de forma inconsciente, como explicou Polanyi.

Forte abraço

Fernando Goldman   

 

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